Excesso de trabalho e pandemia podem desencadear Síndrome de Burnout

A sobrecarga de trabalho e o esgotamento devido a essa sobrecarga, que pode desencadear a Síndrome de Burnout, estão chamando a atenção dos profissionais da área médica do trabalho. Eles indicam a necessidade de maior atenção para os sintomas durante o período de tensão e fadiga provocado pela pandemia de covid-19, que trouxe a necessidade de manter o isolamento social pelo máximo de tempo possível.

Burnout é um transtorno psíquico de caráter depressivo, com sintomas parecidos com os do estresse, da ansiedade e da síndrome do pânico, mas no qual o especialista percebe a associação com a vida profissional da pessoa. A síndrome, que foi incluída na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2019, em uma lista que entrará em vigor em 2022, se não tratada pode evoluir para doenças físicas, como doença coronariana, hipertensão, problemas gastrointestinais, depressão profunda e alcoolismo.

Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que analisou o impacto da pandemia e do isolamento social na saúde mental de trabalhadores essenciais, mostrou que sintomas de ansiedade e depressão afetam 47,3% desses trabalhadores durante a pandemia, no Brasil e na Espanha. Mais da metade deles (e 27,4% do total de entrevistados) sofre de ansiedade e depressão ao mesmo tempo. Além disso, 44,3% têm abusado de bebidas alcoólicas; 42,9% sofreram mudanças nos hábitos de sono; e 30,9% foram diagnosticados ou se tratou de doenças mentais no ano anterior.

Segundo a OMS, no Brasil, 11,5 milhões de pessoas sofrem com depressão e até 2030 essa será a doença mais comum no país. A Síndrome de Burnout ou esgotamento profissional também vem crescendo como um problema a ser enfrentado pelas empresas e, de acordo com um estudo realizado em 2019, cerca de 20 mil brasileiros pediram afastamento médico no ano por doenças mentais relacionadas ao trabalho.

“A pandemia tem sido muito prejudicial a toda a sociedade e os trabalhadores têm sofrido grande parte desses impactos. Por isso, agir e minimizar esse cenário é também uma responsabilidade das empresas, pois cabe a elas fomentar a saúde, segurança e qualidade de vida das suas equipes. O emocional das pessoas tem sido fortemente abalado pelo isolamento social, as incertezas do futuro, a pressão para alcançar resultados, as dificuldades do trabalho remoto, entre outros pontos”, disse o presidente da Associação Brasileira de Empresas de Saúde e Segurança no Trabalho (Abresst), médico e gestor em saúde, Ricardo Pacheco.

Segundo ele, o assunto tem merecido tanta atenção que em março desse ano a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu os impactos da pandemia na saúde mental e publicou  um documento desenvolvido pelo Departamento de Saúde Mental, com mensagens de apoio e bem-estar de diferentes grupos-alvo.

“O intuito dessa ação foi promover o cuidado psicológico com a população mundial. Além das mensagens para as pessoas em geral, o documento contém uma sessão voltada aos trabalhadores. Isso acontece porque as relações profissionais foram muito afetadas pela covid-19, gerando, além das incertezas com a estabilidade do trabalho, a insegurança para sair de casa e trabalhar, ou mesmo a dificuldade para conciliar a quarentena em família e o home office”, disse Pacheco.

Uma das medidas importantes para prevenir a Síndrome de Burnout, de acordo com o médico, é a implantação de adequações para que o chamado novo normal funcione tanto agora quanto depois da pandemia. Para ele é extremamente necessário que a saúde mental dos trabalhadores seja um dos itens de maior atenção por parte das empresas, incluindo o treinamento dos líderes e a criação de novas ações para diminuir os problemas emocionais da equipe, além de acompanhar de perto a saúde de cada funcionário.

A gestora de benefícios, Patrícia Mota Mendes Luiz Santos, está em tratamento depois de ser diagnosticada com a síndrome. Os sintomas começaram com dores de cabeça constantes até que um dia ela foi dormir e acordou com a dor. Ao chegar no trabalho, sentiu uma dor mais forte e avisou uma colega sobre não estar bem.

“Parecia que estava num lugar estranho, as coisas e o meu raciocínio começaram a ficar lentos. De repente me deu uma crise de choro e pânico, um desespero. Adormeceram as minhas mãos, um lado do rosto e eu pensei que estava enfartando. Me paralisou um lado do corpo. Fui levada ao pronto-socorro, mas não havia alterações e depois disso fui diagnosticada com Burnout”.

A partir de então Patrícia, que se auto pressionava para ser excelente em tudo, precisou aprender a “colocar o pé no freio” e a lidar com um ritmo de vida mais vagaroso sem ficar ansiosa por resolver tudo no mesmo dia. “O ponto inicial de tudo é a aceitação. Saber que naquele momento eu estou naquela situação e não sou aquilo. Por isso a terapia é fundamental. Os remédios ajudam, mas quem realmente tira da crise é a terapia”.

Atualmente ela não toma mais medicamentos porque aprendeu a se controlar com muita terapia e autoconhecimento. “Eu acho que isso não tem cura, mas temos o controle e o entendimento de que precisamos nos dar o tempo necessário e que não conseguimos ser 100% em tudo, principalmente nós que somos mulheres. E a mulher tende a se cobrar muito nesse sentido, achando que tem que ser perfeita em todos os setores da vida e aí acontecem os acúmulos que desencadeiam nas síndromes”, finalizou.

(Fonte: Agência Brasil)

Dossiê Covid-19 e Saúde do Trabalhador da RBSO traz novas publicações

O dossiê “A pandemia da Covid-19 e a Saúde do Trabalhador”, da Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO), publicou três textos no último trimestre de 2020. As submissões para novas publicações continuam abertas em 2021. Os materiais devem atender às instruções da revista e ser enviados pela plataforma de submissão.

A iniciativa busca dar visibilidade à relação entre o trabalho e a possibilidade de disseminação do coronavírus. Aspecto que deve ser considerado na elaboração de políticas públicas e na busca de estratégias de proteção para aqueles que trabalham. Os últimos textos publicados abordam realidades de diferentes profissionais: bombeiros, enfermeiros e agentes públicos do Judiciário Federal.

Absenteísmo entre bombeiros


O artigo “Baixas na linha de frente: absenteísmo entre bombeiros durante o combate à pandemia da COVID-19” analisa os registros oficiais sobre afastamento do trabalho por problemas de saúde de bombeiros de Minas Gerais, comparando a proporção de licenças-saúde e o percentual de dias de trabalho perdidos por infecção respiratória aguda e por outros diagnósticos entre 2019 e 2020.

“A análise gráfica relativa a 2020 permitiu identificar três períodos distintos: 1) padrão regular de licenças-saúde antes do início da pandemia (de 1º de janeiro a 15 de março); 2) pico de licenças-saúde após o início da pandemia (de 16 de março a 9 de abril); e 3) um novo padrão de licenças-saúde após o período de pico (a partir de 10 de abril)”, afirmam os autores. “A comparação do percentual de dias de trabalho perdidos por infecção respiratória aguda entre 2019 e 2020 mostrou uma variação ao longo dos cinco primeiros meses”, completam.

Óbitos entre profissionais de enfermagem


A comunicação breve “Análise de casos e óbitos pela COVID-19 em profissionais de enfermagem no Brasil” apresenta um estudo epidemiológico, que analisa dados referentes ao período de 20 de março a 28 de maio de 2020, coletados do Conselho Federal de Enfermagem, sobre casos confirmados e de óbitos causados pelo coronavírus na categoria.

Houve 17.414 casos suspeitos, 5.732 confirmados e 134 óbitos no período, o que representa uma taxa de letalidade de 2,34% entre esses trabalhadores. A faixa etária com mais casos confirmados, 2.215, foi a de 31 a 40 anos, e os óbitos por Covid-19 foram mais prevalentes entre pessoas de 41 a 50 anos, com 38 mortes, seguido pelo grupo de 51 a 60 anos, com 33 falecimentos.

“Os dados disponíveis até 28 de maio de 2020 indicavam, tanto na população geral do país, como entre profissionais de enfermagem, predomínio de casos confirmados e de óbitos por Covid-19 na região Sudeste, sobretudo nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo”, aponta o texto.

Mas a análise mostra maior proporção de mortes em relação ao número de adoecidos no Norte do país. “Embora na região Norte o número de profissionais de enfermagem infectados represente menos de 10% dos casos confirmados em profissionais de enfermagem no território nacional, os estados do Amazonas e Amapá possuem a taxa de letalidade mais alta (17,24% e 11,50%, respectivamente), assim como também foi do Amapá a mais elevada taxa de casos (6,28) e óbitos de Covid-19 (0,67) por 1.000 profissionais”, afirmam as autoras.

Teletrabalho do Judiciário Federal

O artigo “A justiça não pode parar?! Os impactos da COVID-19 na trajetória da política de teletrabalho do Judiciário Federal” traz um estudo descritivo com base na regulamentação do teletrabalho na Justiça Federal em que se analisa o impacto causado pela pandemia, que fez com que o teletrabalho integral e compulsório fosse adotado por todos magistrados, servidores e estagiários, porém com diferentes metas e ações pelos tribunais.

“Os resultados sugerem que os desafios da realização do teletrabalho durante a crise devem contribuir para análise e aperfeiçoamento das normas, metas e políticas públicas vigentes em teletrabalho no Judiciário e nos demais setores, assim como para o entendimento e prevenção dos seus impactos à saúde dos trabalhadores e trabalhadoras”, avaliam os autores.

Também é necessário que as novas políticas públicas relacionadas ao teletrabalho estejam atentas aos riscos: “de precarização e perda do controle sobre a carga de trabalho, que levam à sobrecarga, fadiga e estresse, ao contexto compulsório ou desejado, ao uso da tecnologia como causadora de interrupções (tais como dificuldades de acesso ao sistema), ao direito à desconexão (sair do local de trabalho)”, à “intensificação do trabalho decorrente das metas/aumento de produtividade, ao trabalho invisível não valorizado, ao medo de avaliações negativas do trabalho”, entre outros aspectos levantados pelo estudo.

Fonte: Fundacentro

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MPT divulga nota técnica sobre medidas de proteção a trabalhadoras gestantes


Em nota técnica divulgada nesta terça-feira (19), o Ministério Público do Trabalho (MPT) recomenda a empresas, sindicatos e órgãos da administração pública que adotem diretrizes para preservar a saúde de trabalhadoras gestantes durante a segunda onda da pandemia do novo coronavírus.

O documento contém sete medidas de proteção às gestantes. Entre elas estão garantir, sempre que possível, o direito de elas realizarem trabalho remoto. A nota técnica recomenda ainda que as gestantes sejam dispensadas do local de trabalho, com remuneração assegurada, quando as atividades não forem compatíveis com a modalidade home office.

Além disso, o MPT orienta que seja aceito o afastamento dessas trabalhadoras mediante apresentação de atestado médico que confirme a gravidez, sendo vedada a exigência de atestados médicos contendo Código Internacional de Doenças (CID), uma vez que a gestantes integram grupo de risco.

A nota técnica foi elaborada pelo Grupo de Trabalho (GT) Covid-19.

Clique no link para ter acesso à Nota Técnica:
https://bit.ly/2KE8nTm

Fonte: Procuradoria-Geral do Trabalho

Coronovac e vacina de Oxford são autorizadas por unanimidade pela ANVISA, para uso emergencial.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou neste domingo (17), por unanimidade, o uso emergencial das vacinas Coronavac e da Universidade de Oxford contra a Covid-19. A reunião que discutiu o tema durou cerca de 5 horas.
Os diretores acompanharam o voto de Meiruze Freitas, relatora dos pedidos. No caso da Coronavac, a diretora condicionou a aprovação à assinatura de termo de compromisso e publicação em “Diário Oficial”.
Segundo a Anvisa, somente o termo de compromisso assinado pelo Instituto Butantan precisa ser publicado no “Diário Oficial da União”, o que pode acontecer ainda neste domingo (17) em edição extra. De acordo com a agência, o termo já está pronto e será enviado ao instituto para ser assinado e publicado assim que assinado.
O termo de compromisso prevendo o envio, até o dia 28 de fevereiro, dos resultados sobre a imunogenicidade da CoronaVac foi uma das exigências da relatora do processo para o uso emergencial. A imunogenicidade é a capacidade que uma vacina tem de estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos.
Ao proclamar o resultado, o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, afirmou:

“A imunidade com a vacinação leva algum tempo para se estabelecer. Portanto, mesmo vacinado, use máscara, mantenha o distanciamento social e higienize suas mãos. Essas vacinas estão certificadas pela Anvisa, foram analisadas por nós brasileiros por um tempo, o melhor e menor tempo possível. Confie na Anvisa, confie nas vacinas que a Anvisa certificar e quando ela estiver ao seu alcance vá e se vacine.”


Durante a reunião, a relatora Meiruze Freitas declarou:

“Quanto à vacina Coronavac, desenvolvida pelo instituto Butantan, voto pela aprovação temporária do seu uso emergencial condicionada a termo de compromisso e subsequente publicação de seu extrato no DOU. Quanto à vacina solicitada pela Fiocruz, voto pela aprovação temporária de seu uso emergencial referente a 2 milhões de doses”, votou a relatora.

“Guiada pela ciência e pelos dados, a equipe concluiu que os benefícios conhecidos e potenciais dessas vacinas superam seus riscos. Os servidores vêm trabalhando com dedicação integral e senso de urgência”, acrescentou Meiruze Freitas.


Segundo Leonardo Filho, estatístico da Anvisa, a eficácia da Coronavac é de 50,4%, em percentual arredondado. Segundo o gerente de Medicamentos, Gustavo Mendes, a eficácia da vacina de Oxford é de 70,42%.

Durante apresentação dos dados, Gustavo Mendes informou ainda que a área técnica da Anvisa recomendou a aprovação do uso emergencial das duas vacinas, “condicionada ao monitoramento das incertezas e reavaliação periódica”. Mendes também ressaltou que há aumento no número de casos e ausência de alternativas terapêuticas.

O pedido sobre a Coronavac foi apresentado em 8 de janeiro pelo Instituto Butantan e é referente a 6 milhões de doses importadas, produzidas pela farmacêutica chinesa Sinovac. O Butantan também desenvolve a vacina no Brasil.


O voto da relatora


Durante o voto, a relatora destacou que o Brasil responde por 10% das mortes registradas no mundo por Covid-19 e lembrou que não há alternativa terapêutica para combater a doença (veia o vídeo abaixo).

“Até o momento não contamos com alternativa terapêutica aprovada para prevenir ou tratar a doença causada pelo novo coronavírus. Assim, compete a cada um de nós, instituições públicas e privadas, sociedade civil e organizada, cidadão, cada um na sua esfera de atuação tomarmos todas as medidas ao nosso alcance para no menor tempo possível diminuir o impacto sobre a vida do nosso país”.


Meiruze Freitas afirmou ainda que os benefícios das duas vacinas superam eventuais riscos.

“Ressalvadas algumas incertezas ainda existentes pelo estágio de desenvolvimento das vacinas em apreço, os benéficos conhecidos e potenciais das duas candidatas superam os riscos potenciais trazido em cada uma delas. Entretanto, ambas atendem aos critérios de qualidade e segurança para uso emergencial. Faço uma ressalva quanto a Coronavac, que requer dados complementares quanto à imunogenicidade”, declarou.
Em seu voto, a relatora condicionou o uso emergencial da CoronaVac a um termo de compromisso do Instituto Butantan de enviar até o dia 28 de fevereiro os resultados sobre a imunogenicidade, que é a capacidade que uma vacina tem de estimular o sistema imunológico e produzir anticorpos.

A questão da imunogenicidade foi uma das ressalvas levantadas pela área técnica, que afirmou que não foi possível avaliar a quantidade de anticorpos produzidos após a vacina e a duração da imunização.


Comportamento social


No início da reunião deste domingo, o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, fez um breve discurso no qual afirmou que, mesmo com o desenvolvimento de vacinas, a vitória sobre o coronavírus passa pela mudança do “comportamento social”.

“O momento é de conscientização, união e trabalho. O inimigo é um só. A nossa chance, a nossa melhor chance nesta guerra passa, obrigatoriamente, pela mudança de comportamento social, sem a qual, mesmo com vacinas, a vitória não será alcançada”, declarou.

Desde o início da pandemia, a Organização Mundial de Saúde (OMS), autoridades sanitárias e especialistas recomendam como formas de evitar a disseminação ainda maior do coronavírus o uso de máscara; a higienização das mãos; o distanciamento social; e evitar aglomerações, por exemplo.

Análise da Coronavac


O gerente-geral de medicamentos e produtos biológicos da Anvisa, Gustavo Lima Santos, afirmou durante a apresentação que, apesar das incertezas e dados ainda não apresentados pelo Instituto Butantan, a gerência de medicamentos recomenda a aprovação o uso emergencial da CoronaVac.

“Tendo em vista o cenário de pandemia, tendo em vista o aumento de número de casos e tendo em vista a ausência de alternativas terapêuticas. A situação que estamos vivendo é uma situação de muita preocupação e muita tensão por conta dos insumos necessários, a gerência-geral recomenda a aprovação do uso emergencial”, afirmou. Santos destacou que a recomendação é para a aprovação seja condicionada ao monitoramento e acompanhamento das incertezas e reavaliação periódica.

Durante a reunião, Santos destacou uma série de dados que ainda não foram apresentados para a Anvisa e outros que ainda precisam de mais análises.

Entre os dados que não foram apresentados, destacou, está a análise quantitativa da imunogenicidade, que é a capacidade que uma vacina tem de estimular o sistema imunológico e produzir anticorpos.

Segundo o gerente de medicamentos, os dados só mostram se houve a produção de anticorpos ou se não houve, mas não detalha a quantidade de anticorpos. “O único apresentado foi de qualitativa, se sim ou se não, e isso não foi considerado adequado para a nossa avaliação de imunogenicidade”, disse.

Santos também destacou que os dados apresentados não foram suficientes para permitir uma conclusão sobre o efeito em formas moderadas e graves da doença, já que o número de casos foi muito baixo.


Análise da vacina de Oxford

A Gerência-Geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa também recomendou a aprovação do uso emergencial da vacina de Oxford.

Gustavo Lima Santos fez as mesmas ponderações que apresentou ao recomendar a aprovação da Coronavac, destacando o cenário atual da pandemia da Covid-19, o aumento do número de casos e a ausência de alternativas terapêuticas.

Santos também destacou que é preciso monitorar as incertezas citadas durante a apresentação, entre elas o fato de que o uso emergencial foi pedido para a vacina produzida pelo Instituto Serum, que tem uma origem diferente da vacina do laboratório da AstraZeneca.

“O banco de semente de vírus mestre do Instituto Serum é diferente da AstraZeneca, o que significa que os produtos gerados por esses dois fabricantes têm origem direta diferente, e isso pode constituir produtos diferentes”, afirmou.

Ele destacou, no entanto, que a empresa alega que as vacinas são comparáveis, mas a Anvisa ainda tem incerteza quanto a isso.

Outras dúvidas apresentadas durante a a apresentação referem-se à eficácia da vacina na população com mais de 65 anos e nas formas graves da doença. “Os dados são insuficientes, o que a gente pode afirmar é que existe uma tendência favorável contra as formas graves”, disse.

Análise dos pedidos


Conforme a Anvisa, os diretores analisam os pareceres elaborados por três áreas técnicas, que somam 50 pessoas.

Os pareceres são divididos entre as equipes que atuam em:

  • Registro de medicamentos;
  • Certificação de boas práticas de fabricação;
  • Farmacovigilância de medicamentos (monitoramento do produto no mercado).

De acordo com a Anvisa, após a votação da diretoria colegiada, a decisão passa a valer a partir da publicação do resultado e da notificação da entidade que apresentou o pedido. Durante a análise, os diretores vão avaliar os seguintes itens:

  • Qualidade;
  • Boas práticas de fabricação;
  • Estratégias de monitoramento e controle;
  • Resultados provisórios de ensaios clínicos.

Ainda de acordo com a agência, quem entrou com o pedido precisa comprovar que a fabricação e a estabilidade do produto garantem a qualidade da vacina.

Se aprovado, o imunizante com uso emergencial liberado não pode ser comercializado, somente distribuído no sistema público de saúde. A liberação pode ser revogada pela Anvisa a qualquer momento.

(Fonte: G1)

A eficácia do CoronaVac comparado a outros imunizantes

Depois de muita polêmica, o Instituto Butantan divulgou nesta terça-feira (12/01) a eficácia global da CoronaVac. Os dados mostram uma taxa de 50,38%, número que supera por pouco o limite de 50% estipulado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para aprovar as vacinas contra a covid-19. A coletiva de imprensa desta semana veio após muitas críticas de cientistas e profissionais de saúde em relação à falta de transparência no anúncio realizado na quinta-feira (07/01).

Na ocasião, representantes do governo do Estado de São Paulo mostraram apenas os dados dos desfechos secundários do estudo clínico do imunizante, como aqueles que mostravam uma diminuição de 78% dos casos leves e de 100% nos casos moderados, nos casos graves e nas hospitalizações. Mas o que esses números e informações significam na prática? Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que, assim como ocorre com várias vacinas contra outras doenças já aplicadas no país, a CoronaVac (se aprovada) pode ser de grande valia ao enfrentamento da pandemia. “Sabe o que é mais importante que qualquer vacina? A estratégia de vacinação. É ela que vai nos permitir ter muito menos mortes em 2021”, contextualiza a médica Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)

Eficácia x Efetividade

A taxa de eficácia global da vacina é determinada a partir dos estudos clínicos de fase 3, os últimos antes da aprovação pelas agências regulatórias, caso da Anvisa no Brasil e da FDA nos Estados Unidos.

Normalmente, esse trabalho de pesquisa demora anos para ser concluído. Porém, em meio a uma pandemia, os prazos podem ser apertados e os cientistas fazem análises preliminares com um número menor de voluntários.

Grosso modo, a análise preliminar compara quantos participantes do estudo que contraíram a covid-19 de acordo com dois grupos: aqueles que tomaram a vacina de verdade e aqueles que receberam doses de placebo, uma substância sem efeito no organismo.

Espera-se que as pessoas vacinadas estejam mais protegidas da infecção pelo coronavírus em relação àquelas que não foram imunizadas. A partir daí, é possível realizar um cálculo relativamente simples, que vai determinar essa taxa de eficácia. Esse número, porém, é uma informação obtida a partir de um estudo científico, num ambiente controlado e acompanhado de perto por um time de especialistas.

 Na vida real, a eficácia é substituída pela efetividade. Em resumo, esse conceito permite entender o quanto daquilo que foi observado durante os testes acontece de verdade, no mundo real.

A efetividade, portanto, pode ser maior ou menor, a depender de uma série de variáveis e coisas que acontecem durante um programa amplo de vacinação. O desejável é que ela fique o mais próximo possível da taxa de eficácia encontrada lá no início, durante os estudos.

E como a CoronaVac se encaixa nisso?

A vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan está justamente neste estágio de análise preliminar das pesquisas. Nos testes de fase 3, 85 voluntários do grupo vacinado e 167 do grupo placebo tiveram a covid-19. Esses números revelam, portanto, uma taxa de eficácia de 50,38%.

No trabalho do Butantan, os casos foram divididos de acordo com a sua gravidade: desde aqueles muito leves, que não requerem nenhum cuidado, até os mais graves, que exigem internação em unidade de terapia intensiva (UTI).

Outra observação importante da pesquisa foi que a CoronaVac se mostrou capaz de evitar os quadros moderados ou graves da infecção pelo coronavírus.

Pelas informações disponíveis até o momento, houve uma redução de 78% nos casos leves, que necessitam de algum tipo de assistência médica. Do ponto de vista de saúde pública, os especialistas acreditam que isso pode ter um enorme impacto.

Afinal, uma redução da taxa de internações (e, por consequência, de óbitos) pode representar um alívio imenso durante uma pandemia. Já de uma perspectiva individual, os dados da CoronaVac indicam que ela teria a capacidade de transformar uma doença potencialmente fatal numa infecção mais branda e fácil de ser manejada.

E isso, como você verá a seguir, é um racional que se aplica a diversas outras vacinas que já temos disponíveis contra outras doenças.

Número baixo, efeito bom

Existe uma série de outras vacinas que fazem parte do Programa Nacional de Imunização cuja eficácia não chega nem perto dos 90%.

As vacinas que protegem contra rotavírus, influenza, coqueluche e catapora são exemplos disso.

Ballalai lembra que o rotavírus, agente que afeta o intestino e provoca diarreia, era um verdadeiro pesadelo no Brasil. “Não tinha uma criança que chegava aos dois anos de vida sem ter sofrido ao menos um episódio dessa infecção”, relata.

A vacina, disponibilizada no país a partir de 2006, modificou totalmente esse cenário. Hoje em dia, os surtos são muito raros no país.

Detalhe: a eficácia da vacina contra o rotavírus fica entre 40 e 50%. “No entanto, ela tem a capacidade de evitar os quadros graves da doença, que podem levar a hospitalização e até a morte”, completa a médica

O mesmo se aplica a outros imunizantes, como aqueles que protegem contra influenza, coqueluche e catapora.  

No caso da campanha contra gripe, a formulação da vacina muda a cada nova temporada, de acordo com as cepas do vírus que estão em maior circulação naquele outono/inverno.

Em alguns anos, a taxa de eficácia das doses usadas nas campanhas anuais nem alcança os 40% (em anos “bons”, varia entre 60 e 90%).

 Porém, ao evitar o agravamento do quadro, especialmente em grupos vulneráveis como os idosos, uma estratégia de vacinação ampla contra o influenza impede que a doença mate muita gente e tenha impacto grande demais para a capacidade do sistema de saúde.

  Claro que há outras vacinas cuja taxa de eficácia ultrapassa os 90%. É o caso daquelas que protegem contra a hepatite A, a hepatite B, o HPV, a febre amarela e a poliomielite

  Mas elas também dependem de uma boa cobertura vacinal (a proporção do público-alvo que tomou suas doses) para evitar que o agente infeccioso continue circulando no país ou em determinada comunidade.

E as outras vacinas contra a covid-19?

 O anúncio de uma eficácia de cerca de 50,4% feito pelo Instituto Butantan pode até parecer frustrante num primeiro momento – ainda mais depois de toda a confusão com a divulgação do dado e a comparação inevitável com outras concorrentes, como Pfizer (95% de eficácia), Moderna (94%), Sputnik V (90%) e AstraZeneca/Oxford (62 a 90%).

  Apesar disso, especialistas garantem que o número mais baixo não significa que a CoronaVac seja menos valiosa ou possa ser descartada no atual momento.

“Além disso, ninguém olhou com tanto detalhe para as outras vacinas como estão fazendo agora com o Instituto Butantan. No caso de Pfizer, Moderna, Oxford/AstraZeneca, só sabemos da eficácia geral. Não podemos deixar que a politização sobre esses dados crie uma desconfiança na população”, critica Ballalai

Vale dizer que a CoronaVac, além de se mostrar bastante segura e não provocar efeitos colaterais dignos de nota até o momento, apresenta alguns benefícios do ponto de vista operacional e logístico. Ela é mais barata, está sendo produzida no Brasil e não precisa de armazenamento em temperaturas baixíssimas.

Isso significa que a disponibilidade de suas doses aos brasileiros parece estar muito mais próxima da realidade – e isso teria um benefício mais imediato no enfrentamento da pandemia.

O médico Marcio Sommer Bittencourt, do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo, resumiu a questão em uma série de postagens no Twitter. “Sendo simplista, se vacinar 1 milhão [de pessoa com vacina que reduz 95%, o máximo que você protegeu foi 950 mil pessoas. Se vacinar 200 milhões com uma vacina que reduz 50%, você protege até 100 milhões de pessoas”.

Os dados da análise preliminar da CoronaVac foram enviados para a Anvisa na última sexta-feira (8/01). A agência deve dar um veredicto sobre seu uso no Brasil nos próximos dias.

(Fonte: Uol)

Como se proteger morando com alguém infectado pela Covid-19?

Sair de casa e cruzar com pessoas possivelmente infectadas pelo vírus já requer cuidados especiais de higiene e prevenção como lavar as mãos e usar álcool gel e máscara. Mas é possível se proteger se o paciente com covid-19 divide o teto com você? De acordo com Michelle Zicker, infectologista da Rede de Hospitais São Camilo, em São Paulo, há uma série de medidas que podem ser tomadas para evitar a contaminação, mas sua eficácia depende muito das condições nas quais as pessoas vivem.

“Para famílias numerosas que moram em espaços pequenos, como um ou dois cômodos, não há como seguir o princípio básico de prevenção, que é manter o distanciamento físico de pelo menos um metro”, explica. Outra recomendação médica é, sempre que possível, isolar o doente em um quarto e banheiro separado, restringindo sua circulação na casa. “Se não existe essa possibilidade, o ideal é pelo menos evitar dividir a mesma cama e manter janelas sempre abertas, para aumentar a circulação do ar”, aponta Zicker.

Máscaras ajudam a reduzir a chance de contágio

Se a pessoa infectada precisa usar ambientes comuns, a atitude mais segura é utilizar máscaras pelo maior tempo possível para evitar contaminar o local e outras pessoas.

“É recomendado, inclusive para quem não tem a doença, como uma maneira extra de se proteger. Mas sabemos que nem todos toleram a sensação, especialmente quem está sofrendo com os efeitos respiratórios da covid-19”, esclarece a infectologista.

Limpeza

A limpeza do cômodo e do banheiro usado pela pessoa infectada devem ser feitas com frequência. “Se estiver em boas condições de saúde, o próprio doente deve limpar os locais de uso comum, como o banheiro”, diz Zicker.

 Locais que são tocados com frequência, como maçanetas, torneiras, interruptores e teclados também devem ser higienizados todos os dias

Para comer, o infectado também deve ter louça exclusiva, que não é compartilhada com o resto da família. Se possível, os objetos devem ser lavados com luvas descartáveis e seu lixo deve ser descartado separadamente em um saco plástico e lacrado após o uso.

Já na hora de lavar roupa, a infectologista indica que não há necessidade de separar as peças. “O importante é não sacudir a roupa suja, mas não existe contraindicação para a lavagem, que pode ser feita com produtos de limpeza comuns.”

Invista nestes produtos para higienizar ambientes e matar o coronavírus:

  • Água sanitária
  • Desinfetantes em geral
  • Limpadores multiuso com cloro
  • Limpadores multiuso com álcool
  • Álcool de limpeza (líquido)
  • Detergente
  • Sabão

(Fonte: Uol)

Entenda quais requisitos da ANVISA para uso emergencial da vacina.

Em dezembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou as regras para a autorização temporária de uso emergencial, em caráter experimental, de vacinas contra a Covid-19. O uso emergencial será restrito a vacinas que já estão em testes no Brasil.

Além disso, a agência ressalta que o “uso emergencial” é diferente do “registro sanitário”, que é a aprovação completa para uso de um imunizante.

A concessão estabelecida pela Anvisa segue o modelo de autorizações emergenciais adotadas em outros países, como Reino Unido, Estados Unidos e Canadá, e vale apenas para o período de pandemia e até a vacina receber o registro definitivo.

A agência ressalta que poderá modificar, suspender ou cancelar a autorização temporária a qualquer momento, com base em elementos técnicos e científicos.

Veja os principais pontos:

  • Cada pedido deve ser feito pela empresa desenvolvedora e será analisado de forma independente;
  • Decisão será tomada pela Diretoria Colegiada da Anvisa;
  • Serão considerados estudos não-clínicos e clínicos (em humanos);
  • Serão itens avaliados: qualidade, boas práticas de fabricação, estratégias de monitoramento e controle, e resultados provisórios de ensaios clínicos;
  • Empresa interessada deverá comprovar que a fabricação e a estabilidade do produto garantem a qualidade da vacina;
  • Estudo clínico na fase 3 – última etapa de testes – deve estar em andamento e conduzido também no Brasil;
  • Vacina com uso emergencial liberado não pode ser comercializada, ela só pode ser distribuída no sistema público de saúde;
  • Liberação de uso emergencial pode ser revogada pela Anvisa a qualquer momento.

Público específico

A agência faz a ressalva de que o uso emergencial de um produto será liberado apenas para o público previamente definido e testado nos estudos. Além disso, diz que a autorização não irá substituir o registro sanitário no Brasil, que será exigido para a ampliação do produto a toda a população.

“Uma diferença importante entre o registro e a autorização de uso emergencial é justamente que, no registro, o medicamente já precisa ter dados completos dos estudos para necessários para um balanço de risco-benefício. No caso de autorização de uso emergencial, a gente está falando de uma vacina que ainda está em fase experimental, ainda existe a necessidade de gerar esses dados”, disse Gustavo Mendes, gerente-geral de medicamentos e produtos biológicos da Anvisa.

Mendes explica que a autorização de uso emergencial só poderá ser utilizada com a apresentação de um Dossiê de Desenvolvimento Clínico de Medicamento (DDCM) aprovado pela agência. A Anvisa defende que isso é essencial para manter o acompanhamento dos critérios de liberação da vacina.

“Isso significa que são vacinas que estão em estudo na população brasileira, e que de alguma maneira a Anvisa tem acesso a informações que mostram o perfil de segurança adequado e mostram que existe o compromisso de que esses ensaios continuem, esses ensaios estejam um cronograma estabelecido por nós e que será possível compartilhar os dados de segurança e eficácia de maneira adequada”, disse Mendes.

 4 vacinas na fase 3, no Brasil

Quatro vacinas tiveram a fase 3 realizada no Brasil:

  1. AstraZeneca + Universidade de Oxford
  2. CoronaVac
  3. Pfizer + BioNTech
  4. Janssen – Johnson & Johnson

No dia 8 de janeiro, a Anvisa recebeu o pedido de uso emergencial de duas vacinas: CoronaVac e AstraZeneca/Oxford, vacina contra a Covid-19 produzida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. A agência pretende fazer a análise do uso emergencial em até 10 dias.

(Fonte: G1)

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Saiba quais atualizações feitas ao PCMSO e PPRA relacionadas à Covid-19

Caso haja contaminação por Coronavírus no ambiente de trabalho, como será feito para que seja, de fato, comprovado?

Analisamos que, diante da possibilidade de contágio, os trabalhadores de todos os setores precisam respeitar as normas das Secretarias de Saúde; distanciamento físico, utilizar os EPIs específicos, higienizar locais em que atuam forma correta, etc.

Além disso, segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), tanto o PPRA quanto o PCMSO foram revisados quanto a questões relacionadas à Covid-19, com o intuito de a cobrir aspectos como proteção e prevenção no ambiente laboral.

 Veja suas alterações:

  • PREVER no Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), a implementação da busca ativa de casos, do rastreamento e diagnóstico precoce das infecções pelo novo coronavírus (SARS-Cov-2) e o afastamento do local de trabalho dos casos confirmados e suspeitos, e seus contatantes, ainda que assintomáticos.
  • AFASTAR do local de trabalho o (a) trabalhador (a) confirmado (a) ou suspeito(a) de COVID-19, por contato familiar ou no trabalho, e fazer o rastreio dos contatos no trabalho, afastando os contatantes, ainda que assintomáticos.
  • PREVER, no PCMSO, os procedimentos relacionados à testagem dos (as) trabalhadores (as) para diagnóstico da COVID-19, sem ônus para os empregados.
  • PREVER, no PCMSO, o período de afastamento para “quarentena”, segundo as orientações científicas dos organismos de saúde nacionais e internacionais, e, em face de divergência entre as prescrições, adotar a norma mais favorável e que preveja maior tempo de afastamento do trabalho, por aplicação do princípio da precaução.
  • PREVER, no PCMSO, os exames médicos de retorno ao trabalho, após o fim da “quarentena”, com avaliação clínica do empregado e exames complementares, se for o caso, independente da duração do período de afastamento, por aplicação do princípio da precaução
  • PREVER, no PCMSO, no caso de mudança de função, por pertencer o(a) trabalhador (a) a grupo de risco, que deverá ser realizada, antes da alteração de função, o exame de mudança de função, para verificação da condição física e mental do (a) trabalhador (a) para o desempenho das novas funções, bem como os riscos ocupacionais identificados no Programa de Prevenção de Riscos Ambientais.
  • DEVERÃO os médicos do trabalho, sendo constatado, por meio dos testes, a confirmação do diagnóstico de COVID-19, ou ainda que o teste consigne resultado “não detectável” para o novo coronavírus, mas haja suspeita em virtude de contato no ambiente do trabalho, mesmo sem sintomatologia, solicitar à empresa a emissão da Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT) dos casos confirmados e suspeitos (art. 169 da CLT); indicar o afastamento do  trabalhador do trabalho e orientar o empregador quanto à necessidade de adoção de medidas de controle no ambiente de trabalho, utilizando-se do instrumental clínico-epidemiológico para identificar a forma de contágio e proceder à adoção de medidas mais eficazes de prevenção
  • REGISTRAR todos os casos de infecção de COVID-19 nos prontuários médicos individuais dos empregados, os quais devem ser atualizados mensalmente, garantida a sua acessibilidade às autoridades fiscalizatórias da Saúde e da Auditoria Fiscal do Trabalho.

Você pode ter acesso à Nota Técnica completa, aqui:
https://www.conjur.com.br/dl/mpt-emite-nota-tecnica-considera-covid.pdf

HIV: lições de quatro décadas em resposta à pandemia do Covid-19

O vírus da imunodeficiência humana (HIV) e o SARS-CoV-2 não se parecem em quase nada, mas a resposta à pandemia de covid-19 tem muito a aprender com as quatro décadas de esforços contra a Aids. Não só em matéria de pesquisa e desenvolvimento, mas também de comunicação, comportamento humano, equidade e implementação de programas para prevenir, detectar e tratar a infecção em escala mundial. Sobretudo com vistas a evitar futuras ondas de grande impacto e preparar a distribuição das vacinas.

Pesquisar hoje as epidemias de amanhã

Foram necessárias décadas de pesquisa sobre questões que nada têm a ver com um coronavírus para que os protótipos de vacinas contra a covid-19 pudessem ser desenvolvidos em questão de meses. É o que explica o fundador das unidades de Pesquisa do HIV e Câncer da Universidade Harvard, William Hasseltine, que liderou o trabalho de sequenciar o genoma do HIV na década de 1980.

“A pesquisa sobre o HIV foi absolutamente vital para a covid-19: legou muitos dos cientistas que agora lideram a pesquisa sobre o novo vírus junto com a infraestrutura para realizar estudos e ensaios clínicos. Os primeiros fármacos efetivos contra a Aids, por sua vez, eram medicamentos que tinham sido rejeitados para o câncer”, conta Hasseltine que, por coincidência, foi uma das primeiras pessoas a se salvarem de morrer graças a outra inovação, a penicilina, em 1945.

“Sem o fracasso das vacinas contra o HIV não teríamos o sucesso das vacinas contra o SARS-CoV-2” observa José Alcamí, que dirige a Unidade da Imunopatologia da Aids do Instituto de Saúde Carlos III, em Madri. Protótipos como os dos laboratórios Moderna e AstraZeneca se baseiam em novos modelos de vacinas que vinham sendo testados em doenças como zika, ebola, febre amarela e, sobretudo, a Aids.

Birgit Poniatowski, diretora-executiva da Sociedade Internacional de Aids (IAS), destaca os níveis de colaboração sem precedentes suscitados pela covid-19 e como a IAS está promovendo o diálogo entre as diversas comunidades científicas. “Entretanto, não devemos nos esquecer do HIV nestes tempos difíceis; preocupa-nos o fato de que muitos pesquisadores passaram para a covid-19 e já não têm tempo para continuar seu trabalho no HIV”, afirma. “Também eu gostaria que o mesmo entusiasmo [em torno da covid-19] se tornasse extensivo às demais doenças infecciosas, incluindo a tuberculose, a malária e o HIV, para o qual ainda não existe uma vacina”.

Linda-gail Bekker, vice-diretora do Centro Desmond Tutu para o HIV, fala da África do Sul, um dos territórios mais afetados pelo HIV e a tuberculose no mundo e o país da África subsaariana com mais casos de doentes por coronavírus. “O envolvimento do setor privado no desenvolvimento de vacinas e medicamentos para a covid-19 não tem precedentes; não a vimos nem sequer no HIV ou a tuberculose”, afirma Bekker.

Vacinas sim, tratamentos também

Os recursos para pesquisa sobre a covid-19 se concentraram no desenvolvimento de vacinas, deixando o desenvolvimento de fármacos em um segundo plano. Isso apesar de a luta contra o HIV já ter revelado a falsa dicotomia entre prevenção e tratamento e o fato de não haver panaceia, e sim uma combinação de ferramentas, segundo a diretora do Centro Internacional de Pesquisa Clínica da Universidade de Washington, Connie Celum. “O HIV nos ensinou que o tratamento também é prevenção, no sentido de que diminui a carga viral a ponto de evitar a transmissão” diz, apontando algo que poderia ocorrer também com a covid-19.

Os medicamentos para a covid-19 poderiam desempenhar um papel importante inclusive num mundo com vacinas. Sobretudo, levando-se em conta que sua distribuição não se dará da noite para o dia. Os fármacos poderiam evitar que os casos leves se transformem em severos; reduzir o tempo de hospitalização e frear o contágio, embora, segundo Celum, fosse necessária uma injeção de recursos para desenvolver produtos específicos para o coronavírus no lugar de reutilizar os existentes.

Os especialistas coincidem em apontar que a covid-19 chegou para ficar e que a aspiração é conseguir manejá-la como o vírus da gripe. Mas isso exige apoiar a pesquisa científica de forma sustentada ou confrontar as consequências.

Hasseltine cita um exemplo: na década passada, estavam sendo desenvolvidos fármacos contra a SARS e a MERS que também poderiam ter funcionado contra o SARS-CoV-2, mas, passado o alarme, os recursos foram retirados, e a iniciativa ficou no ar. “A lição é que não se deve nunca baixar a guarda quando se trata de financiar pesquisas antivirais”, diz o cientista e também fundador de uma dúzia de empresas biotecnológicas.

Gerar confiança

As normas são importantes, mas não bastam para conter doenças infecciosas como o HIV e a covid-19. Elas só podem ser controladas se os cidadãos confiarem nas estratégias de saúde pública de seus países e decidirem colaborar para protegerem a si mesmos e aos outros. Um dos trabalhos primordiais das autoridades, e também dos cientistas, é gerar essa confiança.

Perguntada sobre como os Governos estão se saindo, Sharon Lewin, diretora do Instituto Peter Doherty de Infecções e Imunidade de Melbourne (Austrália), afirma: “É como se cada país estivesse sendo examinado ao mesmo tempo e num quarto diferente; os resultados estão sendo muito desiguais”. Dois elementos importantes para melhorar a nota dos Governos são uma comunicação efetiva e mecanismos que facilitem o cumprimento das políticas de saúde pública, desde ajudas econômicas até traduzir as informações para imigrantes.

“É essencial que os cientistas sejam ouvidos e que a ciência seja transmitida ao público de forma clara e sem ambiguidades; e quando algo não se sabe, é preciso dizer”, diz Bekker, do Instituto Desmond Tutu. Para Celum, da Universidade de Washington, os cientistas também têm um papel a desempenhar. Quando saltou o alarme pelo HIV, na década de 1980, a Internet não existia, por exemplo. “Como cientistas, devemos ajudar o público a diferenciar entre resultados preliminares e provas sólidas, entre os estudos confiáveis e outros pequenos ou mal desenhados.”

Hasseltine está de acordo, mas também salienta a responsabilidade individual para o bem-estar comum. “A ciência foi estelar tanto no caso do HIV como da covid-19, mas não é suficiente. É preciso ter liderança política e solidariedade social para controlar estas pandemias”, diz. “A liberdade individual é importante, mas tem limites: quando em plena pandemia dizemos que estamos no direito de não usar máscara e ir ao bar toda noite, estamos violando esses limites.” Em um mundo globalizado, isso significa que o vírus não só continua sendo transmitido entre vizinhos, mas também entre países, muitos deles com sistemas de saúde frágeis já antes da chegada da covid-19.

Defender os direitos humanos

Políticas subnacionais incoerentes e descoordenadas. Restrições draconianas. Infrações com grande repercussão. Politização da resposta. Tensões sobre o acesso à vacina. Contradições. Negação da realidade. Segundo os especialistas, a covid-19 fez estes e outros fatores aflorarem. E, como no caso do HIV, expôs a vulnerabilidade social e inequidade no acesso aos serviços de saúde. “As pandemias se fortalecem onde há desigualdade”, afirma a diretora-executiva do UNAids (agência da ONU para a doença), Winnie Byanyima, que defende a prevalência da saúde frente aos benefícios econômicos através de iniciativas como The People’s Vaccine Alliance. Falando de Nairóbi, ela cobra uma resposta global, multissetorial e com lideranças femininas. Uma resposta que ponha as pessoas mais vulneráveis no centro, servindo-se da experiência com o HIV.

(Fonte: El País)

Eficaz porém subestimado, ar fresco reduz o contágio pelo coronavírus

Para um médico, a ideia de as pessoas manterem janelas fechadas “faz a cabeça explodir de raiva”.

E um engenheiro diz que envergonha a família em restaurantes “ao tentar aumentar a ventilação de ar fresco”.

Ambos fazem parte de um grupo crescente de especialistas preocupados com a forma como o coronavírus pode se acumular em lugares mal ventilados.

De acordo com o médico Eilir Hughes, que dirige um centro de saúde no norte do País de Gales, o slogan do governo do Reino Unido, que é de “mãos, espaço (distanciamento), rosto”, não vai longe o suficiente.

O slogan aparece no púlpito que o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, usa em entrevistas, dando-lhe grande destaque.

Hughes, que se tornou conhecido como “Dr Ar Fresco” por sua campanha sobre o assunto, acha que o slogan deveria dizer “mãos, espaço, rosto, substituir”.

Hughes diz que substituir o ar em uma sala por ar fresco, vindo de fora do ambiente, pode reduzir muito as chances de as pessoas serem infectadas.

O que a ciência diz?

No início da pandemia, as autoridades se concentraram no que se supunha serem as rotas mais prováveis ​​de infecção. Um deles é o risco de tocar em uma superfície contaminada ou levar as mãos sujas ao rosto, daí a recomendação de se lavar as mãos com frequência.

O outro risco é o de inalar gotículas contaminadas de alguém que fala, tosse ou espirra, o que levou às regras dos dois metros do distanciamento social e ao uso de máscaras.

No entanto, a possibilidade de uma terceira via de transmissão, por meio de minúsculas partículas de vírus conhecidas como aerossóis, que permanecem no ar por mais tempo do que as gotículas, agora também é amplamente aceita.

Em julho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu que existe a possibilidade de o coronavírus ser transmitido não apenas por gotículas expelidas por tosse e espirros, mas por partículas microscópicas liberadas por meio da respiração e da fala que ficam em suspensão no ar.

As autoridades norte-americanas foram ainda mais longe, ao afirmar que a inalação de gotículas e aerossóis “é considerada a principal via de propagação do vírus”.

Diante desse risco, a lavagem das mãos, o distanciamento social e o uso de máscaras não são garantia de proteção.

Janelas abertas realmente fazem diferença?

Shaun Fitzgerald, professor de Engenharia da Universidade de Cambridge, está convencido disso e tem como missão pessoal melhorar a ventilação sempre que possível. Isso inclui tentar abrir janelas que foram seladas ou não receberam manutenção por anos.

“Dois metros de distância não garantem segurança (em ambientes mal ventilados). A única coisa que dá segurança é uma boa ventilação. Se tivessem aberto as janelas daquele restaurante, isso poderia muito bem ter mudado o resultado.”

Fonte: G1